Por Inês e Jorge
Desde que voltámos da nossa viagem que várias pessoas nos têm perguntado o que é que é preciso para fazer uma viagem semelhante. Viajar no Sudeste Asiático é fácil, mas algumas dicas dão sempre jeito. Se também estás a pensar viajar pela Tailândia, Laos, Cambodja e Vietname, este post é para ti!
1. Que país(es) visitar?
O norte montanhoso e verdejante, a capital cosmopolita, as praias maravilhosas, os templos inspiradores, a comida deliciosa, as tribos da montanha, os elefantes e os tigres, além da facilidade para se viajar e da simpatia da população (não é à toa que é conhecida como a "terra dos sorrisos"), faz com que a Tailândia agrade a todos os gostos e seja o país mais popular da região. O Vietname, profundamente marcado por uma guerra com os EUA e cujas consequências ainda são bem visíveis nos dias de hoje, também é bastante procurado, não só pela sua História como também pelas seus belos arrozais, as tribos indígenas, a lindíssima Halong Bay e a pequena e encantadora cidade de Hoi An, que faz com que todos os viajantes fiquem perdidos de amores. O Cambodja e o Laos, mais pobres, menos conhecidos e geralmente anexados à visita de um dos países anteriores, também não ficam nada atrás. O Cambodja, apesar de ter sido palco de um dos piores genocídios da História da Humanidade, é lembrado pelo incríveis templos de Angkor Wat que provavelmente já viram em fotografias. O Laos, que é o país do mundo que foi mais bombardeado per capita, tem a bonita cidade colonial de Luang Prabang, onde todos querem ver a cerimónia das almas e as suas magníficas cascatas. Na verdade, tudo tem a ver com as preferências de cada um, mas garanto-vos que, quanto mais pesquisarem, mais terão vontade de conhecer tudo!
Como podem ver pela resposta anterior, qualquer tempo que se defina vai parecer sempre insuficiente para conhecer tudo aquilo que esta região tem para nos oferecer. Esta foi das frases cliché que mais nos irritou quando estávamos a pesquisar, mas é verdade. A solução passa por não querer visitar tudo e seleccionar uma zona ou as atracções que mais nos interessam. Recomendamos 3 semanas para a Tailândia, 5 dias para o Laos, 4 dias para o Cambodja e 2 semanas para o Vietname (isto porque só visitámos mesmo o principal no Laos e no Cambodja). Uma viagem com menos de 2 semanas achamos que não vale a pena porque a viagem de avião é grande e cara e porque há mesmo muita coisa para ver. Não se esqueçam que, mesmo que não passem muito tempo em cada cidade, são países grandes, alguns com estradas más, e as viagens por terra chegam muitas vezes a fazer perder um dia completo. Na época alta, filas grandes e alojamentos e transportes lotados também são espectáveis.
Todos os guias de viagem têm a mesma resposta, mas nós resolvemos ser diferentes e não estamos nada arrependidos. Na maior parte das regiões há 3 estações: a fresca e seca, entre Dezembro e Fevereiro, com temperaturas por volta dos 20ºC; a quente e seca, entre Março e Maio/Junho, com temperaturas por volta dos 40ºC; e a chuvosa/período das monções, entre Junho/Julho e Novembro, com períodos de chuva torrencial, tufões, cheias e mais mosquitos. A estação fresca e seca é a mais recomendada, porém não é perfeita, também tem mais gente e, por isso, é mais difícil para arranjar alojamento e transportes, há mais filas e confusão e os preços são mais elevados. Nós viajámos no período das monções (do final de Julho a meio de Setembro), que dizem para evitar a todo custo, mas a verdade é que na maior parte dos dias esteve sol ou nublado e só por vezes apanhámos chuva mais intensa ao final da tarde, que rapidamente passava, havendo também dias com um calor insuportável. E sim, há muito menos gente e é mais barato! Os países mais afectados pelas monções são o Laos e o Vietname e aí recomenda-se que se esteja atento aos noticiários pois os tufões são previsíveis com algum tempo de antecedência e facilmente se muda o roteiro para outra cidade interessante que não seja afectada.
4. É muito caro?
4. É muito caro?
O mais caro é mesmo a viagem de avião, cujo preço com ida e volta varia entre 480€ e 800€, dependo da altura do ano e do tempo de antecedência com que é comprada. De resto, a região é conhecida como uma das zonas mais baratas para se viajar. Não é à toa que atrai tantos jovens e mochileiros! A título de exemplo, em Chiang Mai (norte da Tailândia), um quarto duplo com wc privada custa 6€/noite e uma refeição 1€ e, em Hanói (capital do Vietname), um quarto duplo com wc privada custa 13€/noite e uma refeição 1,5€. Porém, para que seja barato, é muito importante regatear tudo (os preços não são fixos, às vezes mesmo que estejam escritos, e o primeiro preço pedido é 3x/4x mais) e tentar comer e usar transportes locais e não turísticos. Ser simpático e tentar usar algumas palavras na língua local também são bónus para se conseguir melhores preços. Pesquisem antes para ter uma ideia dos preços que devem pedir ao regatear.
5. Onde ficaram alojados? É preciso reservar com antecedência?
Excepto durante o intercâmbio da Inês, ficámos sempre a dormir em guesthouses e hostels e não reservámos nada com antecedência, embora talvez seja recomendado na época alta e se chegarem depois das 22h à cidade. O que nós fazíamos era, na noite anterior ou mesmo num café com wifi na altura, pesquisar pela rua dos alojamentos baratos dessa cidade (nesses países, geralmente as cidades turísticas têm uma rua só com alojamentos baratos), ler sugestões e comentários em sites e blogs e partir a pé à procura. Muitos dos alojamentos baratos são pequenos negócios e não têm site nem dão para reservar. Antes de pagarem o quarto, confiram as suas características (pequeno-almoço incluído, água quente/fria, ar-condicionado/ventilador, wifi, etc.), peçam para vê-lo e vejam se corresponde ao pretendido, se não peçam um desconto ou vejam se não se importam e se compensa o preço. Não se sintam mal por dizer que já não estão interessados, agradeçam e procurem outro alojamento, eles já estão habituados e há muitas opções!
6. Como se deslocaram por lá?
Os países são muito grandes e há quem opte por viajar de avião, no entanto, à excepção do trajecto Hanói -> Banguecoque, usámos sempre transportes terrestres porque são mais baratos e flexíveis (não é preciso comprar com antecedência) e para conhecer melhor a região e entrar no espírito de aventura. No geral são países muito fáceis de se viajar e em qualquer sítio que estejam há agências a vender viagens para qualquer local turístico da região. A decisão passa pela segurança, preço e possíveis embustes dessa opção, que variam de trajecto para trajecto. Normalmente, o comboio é a forma com menos burlas e mais fácil de pesquisar, mas não existe nem no Laos nem no Cambodja e no Vietname é muito caro. Muitas pessoas também preferem os transportes nocturnos porque permitem poupar tempo e dinheiro num alojamento, mas nem sempre são a escolha mais segura ou mais barata. Qualquer que seja o transporte que escolham, não esperem que chegue à hora prevista, atrasos de 1-2h são o normal, mas tudo se faz bem se entrarem no espírito!
7. Que cuidados de saúde é preciso ter?
Antes de mais, aconselhamos a marcar uma consulta do viajante. Convém ter um itinerário mais ou menos definido pois há questões que variam conforme a região do país. Dependendo do roteiro, do tempo de viagem e das necessidades de cada viajante pode ser necessário levar a vacina da hepatite A, da hepatite B (para quem não tem), da encefalite japonesa (para viagens > 30 dias ou zonas endémicas) e febre amarela (se tiveres estado/passado por um país endémico) e fazer profilaxia para a malária (conforme a região do país e preferência pessoal). Também é muito importante os cuidados comportamentais, como usar repelente, rede mosquiteira e roupa apropriada em zonas com muitos mosquitos, usar protector solar de acordo com o clima e ter cuidado com a alimentação, por exemplo, há zonas onde é desaconselhado beber água não engarrafada e bebidas com gelo ou comer ovo e alimentos não cozinhados, como saladas e fruta com casca. A regra máxima é comer onde os locais estão a comer, mas não esquecer que nós devemos ter mais cuidado porque não estamos habituados e a nossa imunidade é diferente. O site da CDC é uma boa fonte para ter como referência. Também pode ser aconselhável fazer um seguro de saúde de viagem.
8. É uma região segura?
No geral é uma região segura. Há muitos golpes para enganar os turistas, para pagarem mais ou visitarem coisas que não pretendem, mas sem pôr em causa a sua integridade física ou vida. Há coisas específicas, como alguns transportes (ex. speedboats) e zonas (ex. região não turística na fronteira entre a Tailândia e a Malásia) que são perigosas e estão altamente sinalizadas na Internet e guias de viagem (consultar o site do Ministério dos Negócios Estrangeiros e a Wikitravel). Os principais roubos são de carteiristas ou por esticão, sendo muito raro o assalto à mão armada. No Laos e Cambodja há ainda minas activas em áreas rurais, pelo que se recomenda não se afastar dos roteiros turísticos habituais. O mais importante é o bom-senso e tentar estar informado. A representação diplomática do nosso país na região é a Embaixada de Portugal em Bangkok.
9. Como fizeram para planear o roteiro?
Fomos nós que planeámos toda a nossa viagem, não recorremos a nenhuma agência de viagem, a não ser para alguns passeios específicos que não davam para fazer sem agência ou carro, caso em que recorremos a agências locais quando já estávamos lá. Dá mais trabalho, mas também só assim é que poderíamos conseguir uma viagem feita à nossa medida, o que vale completamente a pena numa zona em que é tão fácil viajar! As fontes que mais consultámos foram os nossos guias de viagem da DK Eyewitness travel (é o que estamos habituados, não sabemos qual é o melhor), a Wikitravel (recomendamos vivamente!), o Travel Fish (também muito bom!), o Seat61 (para os transportes), o TripAdvisor (para opiniões e dicas de alternativas) e alguns blogs, como Vietnamitas en Madrid (não só para o Vietname), Mochilão trips, Viajar entre viagens e Ásia de Mochila (para nos inspirarmos, escolhermos o roteiro ou sugestões). É importante ter em conta que o turismo está a crescer a um ritmo alucinante nesta região e, portanto, a informação está em constante mudança - uma informação do ano anterior pode já estar desactualizada! Mais tarde também iremos dar dicas mais específicas para cada país, cidade ou atracção.
10. Como levaram o dinheiro?
Todos estes países têm a sua própria moeda, que não dá para trocar cá em Portugal. O Cambodja é um caso muito particular, em que normalmente se usa dólares e a moeda local (riel) só serve para os trocos inferiores a 1$ (até os ATMs dão dólares, é verdade!). No Vietname, é muito comum o uso tanto dos dólares como da moeda local (dong) e por vezes pode compensar usar uma ou outra, dependendo da conversão que fizerem. Já na Tailândia e no Laos, só dá a moeda local mesmo, que é o Baht e o Kip, respectivamente. Há quem opte por levar o dinheiro todo que estima usar na viagem em dólares e depois trocar lá, para não pagar taxas de levantamento no multibanco. Como a Inês iria estar 2 meses no sudeste asiático, seria impossível levar todo o dinheiro necessário, então optámos por levar alguns dólares de cá e ir levantando muito dinheiro de cada vez, para minimizar o número de levantamentos, tendo a vantagem de obtermos logo a moeda local. A taxa máxima que apanhámos acho que foi de 4$ e a Inês deve ter levantado no máximo 5 vezes. É importante guardar dólares para comprar os vistos na fronteira e para alguma emergência.
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