Por Inês
O Sudeste Asiático é gigante, mas durante toda a minha viagem só fiz 3 percursos de avião: Lisboa -> Banguecoque, Hanói -> Banguecoque e Banguecoque -> Lisboa. Optei por me deslocar de autocarro e de comboio, fazendo viagens que pareciam intermináveis, algumas com mil e uma paragens para comer e ir ao wc. Porém, acho que a viagem de ida foi a maior que fiz sem dormir numa cama ou tomar banho!

A viagem começou no aeroporto de Lisboa logo com o primeiro imprevisto. Os portugueses, para permanecerem mais de 30 dias consecutivos na Tailândia, têm de ter um visto. Como nem o visto de estudante nem o visto de turismo iam ao encontro das nossas necessidades, a secretária da embaixada aconselhou-nos a viajar sem visto e a sair do país por um fim-de-semana antes dos 30 dias.

Ora, no
check-in, a hospedeira não nos deixava efetuá-lo porque não tínhamos o tal voo de saída da Tailândia! Sim, isso mesmo! Eu expliquei-lhe que havia mais meios de transporte para além do avião e que teria de chegar de alguma forma a Hanói para apanhar o outro voo, que já estava comprado. Em vão. Já estava a ficar nervosa, mas tinha lido na
Internet um testemunho que foi bem sucedido, pelo que me mantive firme e ela chamou o supervisor. Afinal, a companhia aérea não teria que pagar nenhuma multa nestas situações, então eu poderia embarcar e, segundo as suas palavras, "no aeroporto do destino que lidassem com o problema". Primeiro obstáculo ultrapassado! =D

À chegada a Banguecoque, fui recebida com aquela lufada de ar quente que me dá sempre vontade de explorar um novo destino exótico. Por todo o lado, imensa gente, "hieróglifos" incompreensíveis, cumprimentos diferentes, uma moeda que não sabia utilizar e uma vontade imensa de sair do aeroporto e ver como é o país lá fora. Mas a história ainda não tinha terminado, lembram-se? Ainda tinha de saber se poderíamos sair do aeroporto ou se seríamos deportadas para Portugal. No final, tudo decorreu com normalidade, ninguém estranhou o facto de sairmos do país de comboio e as nossas mochilas já estavam fora do tapete rolante porque tínhamos demorado demasiado tempo na fila (ainda dizem que é um país subdesenvolvido já viram?). Apanhámos o skytrain (metro aéreo, daqueles que vemos nos filmes do futuro) e rumámos à estação ferroviária para apanhar o comboio para Chiang Mai.
 |
| Nas estações de skytrain, não há acesso directo à linha do metro, as portas só se abrem quando o comboio está na estação e as pessoas fazem uma fila à frente de cada porta. Também há funcionários que apitam sempre que as portas se abrem e fecham e que compõem as filas. Organizado não é? |
 |
| O bilhete do skytrain é esta moedinha (token), que tem leitura automática, como os bilhetes do metro de Lisboa |
Quando chegámos à estação de comboios, já não havia camas no comboio que queríamos apanhar, só assentos de 3ª classe sem A/C. Isto não seria um grande problema, não fôssemos nós fazer uma viagem de 9 horas, a chegar às 04h ao destino. Entre a fome, a transpiração e as condições da 3ª classe, a Cláudia já desesperava, mas esta acabou por ser a melhor viagem de comboio da nossa aventura!
 |
| Carruagem de 3ª classe num comboio na Tailândia. Na 3ª classe, pode-se abrir as janelas, o que dá muito mais liberdade para espreitar lá para fora e tirar fotografias |
 |
| Na 3ª classe, há mais pessoas locais e menos turistas, o que permite ter maior contacto com a cultura local |
 |
| Estes irmãos adoravam posar para a máquina fotográfica |
 |
| Podemos ver umas raparigas com o uniforme escolar sentadas e, mais ao fundo, o guarda da estação |
 |
| Passámos por Lop Buri, conhecida pelos macacos, que andam à solta |
 |
| Como é que era mesmo, não podemos comer ovo na Tailândia? Nem mesmo aquele que vem nos pratos que as vendedoras ambulantes vendem nos comboios? haha 1ª regra de segurança quebrada |
Entretanto já era de noite e continuavam a entrar e a sair com frequência pessoas da carruagem, mas ninguém dava sinal de querer dormir durante a viagem. Foi então que, mal tínhamos começado a seguir o nosso plano, fizemos a primeira alteração. Decidimos sair antes em Phitsanulok, onde apanharíamos um táxi para Sukhothai, que tínhamos planeado visitar mais tarde. Com a simpatia típica dos tailandeses, conseguimos encontrar uma passageira que falava um pouco de inglês e que nos indicou a estação correta e falou com o guarda da estação para nos arranjar o táxi.
Terminámos o dia com um misto de cansaço e ansiedade por saber o que o dia seguinte nos reservava. No total, foram 33 horas de viagem, sem tomar banho. Ainda bem que a Internet ainda não tem cheiro!
Sem comentários:
Enviar um comentário