11 novembro, 2015

E para começar, 33 horas de viagem

Por Inês
O Sudeste Asiático é gigante, mas durante toda a minha viagem só fiz 3 percursos de avião: Lisboa -> Banguecoque, Hanói -> Banguecoque e Banguecoque -> Lisboa. Optei por me deslocar de autocarro e de comboio, fazendo viagens que pareciam intermináveis, algumas com mil e uma paragens para comer e ir ao wc. Porém, acho que a viagem de ida foi a maior que fiz sem dormir numa cama ou tomar banho!

A viagem começou no aeroporto de Lisboa logo com o primeiro imprevisto. Os portugueses, para permanecerem mais de 30 dias consecutivos na Tailândia, têm de ter um visto. Como nem o visto de estudante nem o visto de turismo iam ao encontro das nossas necessidades, a secretária da embaixada aconselhou-nos a viajar sem visto e a sair do país por um fim-de-semana antes dos 30 dias.

Ora, no check-in, a hospedeira não nos deixava efetuá-lo porque não tínhamos o tal voo de saída da Tailândia! Sim, isso mesmo! Eu expliquei-lhe que havia mais meios de transporte para além do avião e que teria de chegar de alguma forma a Hanói para apanhar o outro voo, que já estava comprado. Em vão. Já estava a ficar nervosa, mas tinha lido na Internet um testemunho que foi bem sucedido, pelo que me mantive firme e ela chamou o supervisor. Afinal, a companhia aérea não teria que pagar nenhuma multa nestas situações, então eu poderia embarcar e, segundo as suas palavras, "no aeroporto do destino que lidassem com o problema". Primeiro obstáculo ultrapassado! =D



À chegada a Banguecoque, fui recebida com aquela lufada de ar quente que me dá sempre vontade de explorar um novo destino exótico. Por todo o lado, imensa gente, "hieróglifos" incompreensíveis, cumprimentos diferentes, uma moeda que não sabia utilizar e uma vontade imensa de sair do aeroporto e ver como é o país lá fora. Mas a história ainda não tinha terminado, lembram-se? Ainda tinha de saber se poderíamos sair do aeroporto ou se seríamos deportadas para Portugal. No final, tudo decorreu com normalidade, ninguém estranhou o facto de sairmos do país de comboio e as nossas mochilas já estavam fora do tapete rolante porque tínhamos demorado demasiado tempo na fila (ainda dizem que é um país subdesenvolvido já viram?). Apanhámos o skytrain (metro aéreo, daqueles que vemos nos filmes do futuro) e rumámos à estação ferroviária para apanhar o comboio para Chiang Mai.

Nas estações de skytrain, não há acesso directo à linha do metro, as portas só se abrem quando o comboio está na estação e as pessoas fazem uma fila à frente de cada porta. Também há funcionários que apitam sempre que as portas se abrem e fecham e que compõem as filas. Organizado não é?




















O bilhete do skytrain é esta moedinha (token), que tem leitura automática, como os bilhetes do metro de Lisboa
Quando chegámos à estação de comboios, já não havia camas no comboio que queríamos apanhar, só assentos de 3ª classe sem A/C. Isto não seria um grande problema, não fôssemos nós fazer uma viagem de 9 horas, a chegar às 04h ao destino. Entre a fome, a transpiração e as condições da 3ª classe, a Cláudia já desesperava, mas esta acabou por ser a melhor viagem de comboio da nossa aventura!

Carruagem de 3ª classe num comboio na Tailândia. Na 3ª classe, pode-se abrir as janelas, o que dá muito mais liberdade para espreitar lá para fora e tirar fotografias
Na 3ª classe, há mais pessoas locais e menos turistas, o que permite ter maior contacto com a cultura local
Estes irmãos adoravam posar para a máquina fotográfica
Podemos ver umas raparigas com o uniforme escolar sentadas e, mais ao fundo, o guarda da estação
Passámos por Lop Buri, conhecida pelos macacos, que andam à solta
Como é que era mesmo, não podemos comer ovo na Tailândia? Nem mesmo aquele que vem nos pratos que as vendedoras ambulantes vendem nos comboios? haha 1ª regra de segurança quebrada
Entretanto já era de noite e continuavam a entrar e a sair com frequência pessoas da carruagem, mas ninguém dava sinal de querer dormir durante a viagem. Foi então que, mal tínhamos começado a seguir o nosso plano, fizemos a primeira alteração. Decidimos sair antes em Phitsanulok, onde apanharíamos um táxi para Sukhothai, que tínhamos planeado visitar mais tarde. Com a simpatia típica dos tailandeses, conseguimos encontrar uma passageira que falava um pouco de inglês e que nos indicou a estação correta e falou com o guarda da estação para nos arranjar o táxi.     

Terminámos o dia com um misto de cansaço e ansiedade por saber o que o dia seguinte nos reservava. No total, foram 33 horas de viagem, sem tomar banho. Ainda bem que a Internet ainda não tem cheiro!

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